Esse é sem dúvida o mais maravilhoso paradoxo do universo. "Evidentemente, grande é o mistério da piedade. Deus se manifestou em carne" (1 Timóteo 3:16; JND). O homem puramente intelectual considera inaceitável essa realidade, e muitos se insurgem de modo implacável contra essa fantástica e incomparável manifestação. Alguns apontam o caráter humilde e sofredor de Jesus, a fadiga junto ao poço em Sicar (João 4:6), o sono sobre o travesseiro (Marcos 4:38), o forte clamor e as lágrimas (Hebreus 5:7), as catorze orações registradas no evangelho de Lucas, indicando humilde dependência de Deus, tudo isso prova Sua verdadeira e completa humanidade. Mas, sendo isso verdade, presumem que Ele não podia ser Deus. Tal conclusão, no entanto, é fruto de raciocínio meramente humano. Como o intelecto deles pode decidir o que Deus pode ou não pode fazer? Eles não dão a Deus o crédito da existência e da sabedoria. Esses opositores não atentam para as várias passagens das Escrituras que claramente afirmam que Cristo é tanto Deus quanto homem, como, por exemplo, Colossenses 2:9: "Nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade". Falando do Senhor Jesus, 1 João 5:20 declara que Ele "é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (leia também João 1:1; 5:23; Hebreus 1:8 etc.). Independentemente dessas afirmações, a história de Jesus na terra prova a mesma coisa. Muitas de Suas obras somente Lhe são atribuídas pelo fato de Ele ser Deus: Sua autoridade sobre o mar violento (Marcos 4:39); a caminhada por sobre as águas (Mateus 14:25); a capacidade de ler o pensamento dos homens e de responder às suas indagações (Lucas 5:2 2); o conhecimento de coisas que iriam acontecer (Lucas 9:21; João 13:1,3; 18:14). E há muito mais. Reconhecemos que a ocorrência simultânea de duas características tão singulares é um mistério. No entanto, um maravilhoso paradoxo observado na criação faz-nos acreditar que tais coisas sucedem também no mundo espiritual. Sir Isaac Newton afirmou que a luz viaja sob a forma de partículas diminutas à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. É a chamada teoria corpuscular. Mais tarde, o cientista holandês Huygens contestou essa teoria e apresentou provas de que a luz viaja em ondas, como o mar. A teoria corpuscular de Newton foi abandonada por algum tempo, até Einstein demonstrar que muitos fatos relativos à luz só eram explicáveis pela aplicação da teoria de Newton, enquanto outros só tinham explicação pela teoria das ondas. Até hoje as duas teorias são aplicadas, embora os cientistas não consigam entender como ambas podem ser verdadeiras. Deus não consulta a nossa inteligência antes de estabelecer as Suas leis. O cristão encontra profunda alegria tanto na humanidade quanto na deidade do Senhor Jesus e em tudo que tenha relação com essa realidade. O ser humano não pode explicar como isso acontece: está além de sua compreensão. O seu raciocínio não consegue penetrar esse mistério. Mas ainda que seja incompreensível, está provada a sua realidade. A fé aceita esse fato sem reservas, dando a Deus o crédito da existência e da sabedoria, que acreditamos também possuir, e da extraordinária benevolência, que é Sua característica. Temos todos os motivos para adorar sem restrições ao amado Filho de Deus. Amém.
Graça e paz.
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