"o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;"
Colossenses 1:15

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Estudos Bíblicos 

 
       
A paixão gerada pela cruz
     
 
Data da Publicação: 11/3/2010
Enviado Por: Claudio Morandi
 

"Levando sempre no corpo o morrer de Jesus...nós que vivemos, somos sempre entregues á morte por causa de Jesus..." (II Co. 4:10-12).

"Conformando-me com Ele na sua morte..." (Fil 3:10).

"Já em nós mesmos tivemos a sentença de morte..." (II Co. 1:9).

O clímax da Vida de Ressurreição gravita, é estranho dizer, de volta à Cruz; e quando tivermos aprendido do poder da Sua ressurreição, estaremos apenas preparados para. Daí em diante, nos conformarmos à sua morte. Este aspecto da Cruz de Cristo nos traz de volta ao secreto espírito da cruz, do qual Paulo teve um vislumbre no mártir Estevão. Cristo morreu na Cruz, não somente como uma propiciação pelo pecado, mas para que Ele pudesse levar consigo a raça caída de Adão, e fazer nascer, através das Suas dores de parto na cruz, uma nova raça, compartilhando Sua divina natureza, e nascida à Sua semelhança.

Essa nova natureza ou vida, amadurecendo no crente em medida cada vez mais profunda, à proporção em que ele progressivamente aprende a sua libertação da velha natureza, através da cruz, em todo tempo oportuno é manifestada através do homem numa vida inspirada pelo espírito da cruz, operando tão espontaneamente e tão normalmente quanto a vida do velho Adão operava. Estevão, na sua hora de ardente provação espontaneamente manifestou o Espírito de Cristo que estava nele, de maneira que, pelo espírito e natureza de Cristo, como sua própria vida, ele pôde orar pelos seus assassinos. Da mesma forma, todo filho de Deus manifesta o que está nele na sua suprema hora de provação. Se ele seguiu no caminho da cruz e, "pelo espírito", fez morrer as obras da vida do velho Adão, buscando sempre reconquistar o domínio sobre ele, a hora de provação apenas trará à tona a vida de Jesus habitando nele.

O ato contínuo de tornar real o fato de ter morrido com Cristo, pelo crente, para manifestação da nova vida inspirada na cruz, é claramente demonstrada em II Co. 4:10-12. A palavra grega traduzida em Rm 4:19 como "morte". Assim o texto pode ser lido: "levando sempre no corpo a morte de Jesus". Essa diferença na tradução é importante porque fomos identificados com Ele na Sua morte, não no seu morrer. Estritamente falando, não há processo algum de morrer com Cristo, porque sua morte é a nossa morte, não o nosso "morrer", e através dela nós somos libertos para viver com a Sua vida e, pelo poder da Sua vida, trazer nos nossos corpos a "morte" que O separou deste presente mundo mau.

Aqui está a cruz em seu poder de separação, continuamente aplicado pelo Espírito Santo a todas as atividades em potencial e intrusões da velha criação. "Para que também a Sua vida se manifeste em nosso corpo". A necessidade de anular, ou de tornar sem efeito, a velha criação, para abrir espaço para a operação nova, é assim, uma vez mais enfatizada. E o apóstolo ainda diz: "nós que vivemos - com a nova vida - somos sempre entregues à morte" para esse mesmo propósito. Aqui é o Espírito Santo aplicando o princípio da cruz, em um perpétuo tratamento de experiência de morte, a todos que são verdadeiramente filhos de Deus. Outra vez é afirmado o propósito. "Para que também a vida - não apenas a morte - de Jesus se manifeste em nossa carne mortal". O efeito do Calvário, que se segue, é rapidamente visto, "de modo que em nós opera a morte; mas em vós a vida". Por quê? Porque a "morte" traz o crente a um fim de todos os recursos em si mesmo e abre caminho para a vida de Deus.

Quão extraordinário é este penetrante discernimento da essência do Calvário, pelo homem que pela primeira vez o vislumbra no mártir Estevão. É como se o evangelho da Cruz a ele ensinado pelo Cristo Ressurreto, tivesse agora se tornado tão lavrado em seu próprio ser, que ele o entendeu, por assim dizer, no seu interior. A cruz objetiva, agora se tornou subjetiva e a interpretação de toda a sua vida. A sua visão espiritual foi ficando cada vez mais clara e ele pôde ver como a Cruz trabalhou em seu passado e iria, na seqüência certa, operar num ainda mais pleno poder de ressurreição, se ele prosseguisse em conhecer o Senhor. Ele conhecera o poder da ressurreição de Cristo quando clamou: "fui crucificado com Cristo", mas ele vê que ainda há um poder de ressurreição que ele precisa conhecer, dependente de uma mias plena conformação com a morte de Cristo, e um "poder da Sua ressurreição", que parece ser condicional para a participação na ressurreição das primícias, do próprio corpo, como progressiva operação da vida através da morte. Da mesma maneira como ela foi primeiramente lavrada em Cristo, quando Ele esteve dependurado na Cruz de vergonha, ela é novamente lavrada nos membros do Seu corpo místico, para trazê-lo a uma só vida e a uma só visão com o seu Senhor que subiu aos céus.

A linguagem de Paulo exige leitura cuidadosa: "para o conhecer", ele escreve "e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos" (Fp 3.11). A linguagem é clara. Aqui é declaradamente uma ressurreição dentre os mortos, para a qual é requerida uma profunda conformidade à morte do Senhor Jesus. Uma ressurreição daqueles que, conformados à sua morte, vivem vidas mártires, no espírito mártir da cruz, e diariamente, hora a hora, têm vitória sobre a morte à qual são entregues. Esses são aqueles que "sofrem com Ele", que serão "glorificados com Ele" (Rm 8.17); que perseveram e "reinarão sempre com Ele" (IITm 2.11, 12), que "venceram assim como Ele venceu" e assim, partilharão do Seu trono. (Ap 3.21)

Pode ser que esta "ressurreição" que Paulo tão ardentemente deseja compartilhar seja a mesma referida em Ap 20.4-6, que é descrita como "a primeira ressurreição", daqueles que seriam "sacerdotes de Deus e de Cristo", e que "reinarão com ele os mil anos". Deve ter sido mostrado a João, na sua plenitude, aquilo que Paulo obteve apenas um vislumbre em espírito e derramou-se diante de Deus em intenso abandono para conhecer. De qualquer modo, nos dias de Paulo e nos nossos dias, as condições para reinar com Cristo permanecem iguais àquelas que foram demonstradas pelos mártires, em Apocalipse 20. i,a "conformidade com a morte" que pode significar sermos "decapitados por causa do testemunho de Jesus", ou "entregues à morte por causa de Jesus" em incontáveis outras formas; é uma separação do mundo, que significa recusa em dobrar-se diante dos poderes mundanos de Satanás, ou em receber sua marca na fronte ou na mão - isto é, em pensamento ou ação.

Paulo agora espera a "ressurreição" que anelava conhecer, quando clamou: "para de algum modo alcançar..."; e muitos dos santos de Deus hoje podem compartilhar isto com ele, se estiverem também inspirados com a paixão gerada da Cruz, para serem mais e mais conformados à morte do seu Senhor.

Voltemo-nos agora para um vislumbre que nos é dado na vida do apóstolo e vejamos um exemplo de como o Espírito de Deus entrega à morte aqueles que conhecerão a vida de Jesus em sua carne mortal. Isso encontramos em II Co 1.18. no versículo cinco, Paulo fala dos "sofrimentos de Cristo" manifestados nele em grande medida, e então levanta o véu a respeito de uma experiência, onde ele diz ter sido oprimido acima das suas forças, ao ponto de desesperar "até da própria vida". A tribulação na Ásia, à qual ele se refere, é incerta. Pode ter sido o seu apedrejamento em Listra (Atos 14.19-23), porém sua vida foi tão repleta de tormentos e conflitos que ele bem poderia estar se referindo a muitos incidentes da mesma natureza, na sua vida de mártir (observe seu próprio relato em II Co 11.23-33). A questão naquela passagem em II Co 1.18 é a maneira como ele encarava todas as "mortes" às quais era entregue. Pressionado acima das forças que seu "corpo mortal" podia suportar, de modo que até mesmo o seu espírito indomável bebe o cálice amargo do "desespero", e por um momento encara a desesperança da sua condição, ele uma vez mais, encontra a renovação da vida através da Cruz.

"Já em nós mesmos tivemos a sentença de morte," ele escreve, mas era "era para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscita os mortos". Se ele se refere ao apedrejamento em Listra, quando ele foi arrastado para fora da cidade, dado como morto, lemos que enquanto os discípulos o rodeavam, ele se levantou e entrou na cidade e, no dia seguinte, continuou a sua pregação em outro lugar.

Este incidente na vida de Paulo, e a sua atitude interior em relação à ele, não é relatado simplesmente história, mas com e expresso propósito de mostrar aos santos crucificados, como a vida inspirada pela Cruz opera na prática. Nós podemos perder completamente o propósito de Deus, se apenas admirarmos a Paulo e pregarmos hoje sobre ele como um exemplo de alguém cuja fé e vida nós devemos nos esforçar para imitar, enquanto falhamos em ver que ele é um objeto escolhido para nos trazer uma lição, através do qual podemos ver como o principio da Cruz, da vida em Cristo conquistando a morte e todas as conseqüências da queda, deve ser operado nos filhos de Deus, até que, finalmente, a própria mortalidade seja tragada pela vida, em glória de ressurreição, ou até serem mudados num piscar de olhos, quando eles, os que estiverem vivos, forem "arrebatados entre as nuvens, para o encontro do Senhor nos ares" (I Ts 4.17).

Um escritor muito conhecido diz que, em vista da volta do Senhor, os santos que vivem nos últimos dias desta presente era má, são chamados de Deus para acertar a questão dos seus corpos mortais, uma posição mais avançada que aquela para a qual foram chamados os santos das gerações passadas, cujos corpos não experimentariam as maravilhosas mudanças que acontecerão na manifestação do Senhor. Isto parece ser verdade no tratamento de Deus com muitos dos Seus Filhos que anseiam pela trasladação e que estão sendo pressionados pela mão de Deus, que está sobre eles, a uma fé nEle, para o presente vivificar da estrutura mortal, que é com certeza, uma preparação para o momento do seu "ajuntamento à Ele", no aparecimento do Senhor. Então a "morte" verdadeiramente será tragada pela vitória. "Este corpo corruptível" será revestido de "incorruptibilidade", e este "corpo mortal" será revestido de "imortalidade", num momento, em um piscar de olhos.

Assim como Paulo se levantou com o corpo ferido e dolorido, do seu apedrejamento em Listra, pela fé no "Deus que ressuscita os mortos", Deus deseja que os Seus fracos hoje também se levantem para cumprir toda a conhecida vontade de Deus em suas vidas. Visivelmente, manifestamente, "morrendo" pela fé no Cristo vivo e na sua união com Ele na ressurreição, e passam também esses dizer, "eis que vivemos..." (II Co 6.9).

"Entreguemos à morte o dia todo", através da expressa permissão dada por Deus ao homem, para considerá-los como ovelhas para o matadouro, de forma que eles possam ser trazidos à plena comunhão com o Cordeiro, que foi imolado; eles são, ao mesmo tempo, "mais que vencedores", pois triunfam sobre todas as coisas que a velha e caída criação preza, enquanto são feitos um "espetáculo", outra vez em ambos os mundos, visível e invisível, dos anjos e dos homens, assim como Cristo o foi no Calvário. De acordo com a "dispensação do mistério, desde os séculos oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais" (Ef 3.9,10). Deus abençoe.

Graça e paz.

 
Pr Claudio Morandi
Bacharel em teologia pela faculdade evangélica do Brasil (ISBL)
Pastor da Igreja Batista em São Jose do Rio Preto - SP
Email: claudioamorandi@hotmail.com
 


 
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